sábado, 24 de novembro de 2012

Eu não tenho carro importado,
Não ganho rios de dinheiro. Sou mais como o Capibaribe, que já nasceu correndo, sem se lembrar de mais do resto.

Mas porém todavia, eu sou um sujeito de muito sucesso.

Porque eu olho para dentro de mim, e não engulo essa conversa de estrela: eu amo as estrelas, mas dentro do meu peito, eu meti mesmo foi um sol; um sol que fagulha do próprio Deus.

Quem pode dizer que se tem, que se sabe, que se questiona? Quem se suporta com uma lente de aumento?

"Há os que cosem para fora; eu coso para dentro."

Dinheiro, [dʒi.'ŋʷeɪ̯.ɾʷo], não pense que eu não lhe conheço. Não importa o que os outros digam: eu lhe conheço. Lobo mau, lobo mau...


"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo."


terça-feira, 20 de novembro de 2012

A violência é iletrada






Sumérios e hebreus, no início da própria gênese do mundo moderno. Porque nomear é criar: o mundo existe quando se pensa nele. Nomeando, os escritores criam realidades, inventam fantasias e nos convidam a mudar. 

No Brasil, todas as línguas se falam.

Deus tenha piedade dos monofalantes. E dos aristocratas, também.

"A violência é iletrada."
Jean-Paul Sartre.





sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Querido Sartre,

venha tomar um café qualquer dia. Ou um chá. Não sei qual você prefere.

Recomendações a Simone.

Um abraço, com carinho.

"Escrever é ter algo a dizer."


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Senhora



"Quando a riqueza veio surpreendê-la, a ela que não tinha mais com quem a partilhar, seu primeiro pensamento foi que era uma arma. Deus lhe enviava para dar combate a essa sociedade corrompida e vingar os sentimentos nobres escarnecidos pela turba dos agiotas.

Preparou-se pois para a luta, à qual talvez a impelisse principalmente a idéia do casamento que veio a realizar mais tarde. Quem sabe, se não era o aviltamento de Fernando Seixas que ela punia com o escárneo e a humilhação de todos os seus adoradores?"

Trechos de Senhora, romance de José de Alencar.



sábado, 20 de outubro de 2012



"E para fugir da solidão os homens se entregam de bom grado a relações confidenciais das quais em seguida se arrependem, mas que por certo tempo permitem-lhes ter a ilusão de que uma simples confidência já seria uma forma de amizade. Imagina-se - e meu pai ainda estava convencido disso - que a amizade é um serviço que se presta. Mas o amigo, assim como o apaixonado, não deve esperar uma recompensa para seus sentimentos. Não tem que exigir contrapartidas por seus serviços, não deve considerar que a pessoa eleita é uma criatura fantástica, deve conhecer seus defeitos e aceitá-la como é, com todas as consequências. Isso seria o ideal. E, de fato: será que vale a pena viver, ser homem, sem um ideal desses? E se um amigo nos decepciona porque não é um amigo de verdade, será que podemos acusá-lo, jogar-lhe na cara o seu caráter, a sua fraqueza? Quanto vale uma amizade que ambiciona ser premiada? Será que não temos o dever de aceitar o amigo infiel exatamente como o amigo fiel e cheio de abnegação? Será que não é talvez o conteúdo mais autêntico de toda relação humana, esse altruísmo que do outro nada exige e nada espera, absolutamente nada?"

(Sándor Márai - As Brasas) 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Amor

- Vamos, vamos, temos que nos apressar. Senão, esqueço a ideia e perderemos muitíssimo.
- Mas, espere, aquela menina está olhando para você.
- Eu percebi, mas ela é muito grande e meu pênis é pequeno.
- Seu pênis é pequeno? Você nunca me disse isso antes.
- Não é coisa que se saia dizendo por aí, sabe? Espero que você entenda.
- Claro, eu disse por dizer. Não estou aborrecida. Mas, espere, ela continua olhando para você.
- É que ela não sabe que eu tenho o pênis pequeno. Só quem sabe é você, porque eu lhe contei agorinha.
- É muito pequeno?
- Não é que seja pequeno, é pequeno para ela, que é grande, rica e muito bonita. Além disso, ela tem cara de que gosta e sabe fazer sexo.
- Mas ela continua olhando...
- Vamos, vamos, temos que ensaiar a peça.
- Vamos.
- Vamos, Andrucha, falo sério.
- Vamos.


                             Tic,
                       tac,         tac
                       tic,          tic,
                              tac.



- Vocês não têm nenhum respeito pela arte. Vocês são uns viados, uns merdas, e você é uma insolente, Andrucha, igualzinha a esses imbecis. Fiquem aí. Traidores!


Tic, 
     tic                  tac, 
                       tic,          tac, 
  tic,                     tac.

- Oi.
- Oi. Desculpe, vou direto ao ponto: tenho cara de rico, sou ator e escrevo peças de teatro, mas tenho pau pequeno. Não vai dar certo.

(...)
....
....................
(        )
8 ¨ ¨ (            )

- Espere. Minha cavidade vaginal é considerada pequena pelos ginecologistas.

(                          )
            !!!!
(                          )

- Oh!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012