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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Humberto Costa, o cavalo paraguaio.

Humberto Costa... Cavalo paraguaio. Que estranha força leva este homem a ter tantos dessucessos nas eleições majoritárias? Seria sua voz, que lhe empresta um ar de fraqueza? Para quem não se lembra, seis anos atrás, Humberto concorria ao cargo de governador do Estado de Pernambuco e, a exemplo do que ocorreu este ano, partiu na disputa com larga vantagem sobre os seus concorrentes, que eram Mendonça Filho e Eduardo Campos. Resultado: não chegou nem ao segundo turno... Viu-se obrigado a assistir a vitória surpreendente do neto de Miguel Arraes, o qual, no início daquela campanha, não possuía sequer dez por cento das intenções dos eleitores e acabou vencendo Mendonça Filho no segundo turno!

Pobre Humberto.

O sucesso de Humberto nas eleições proporcionais infelizmente não se repete nas majoritárias. Para quem não sabe, chamam-se "proporcionais" as eleições para os cargos do legislativo (vereadores, deputados estaduais e federais e senadores [senador é majoritária]), enquanto que as eleições para os cargos do Executivo (prefeitos, governadores e presidente da República) são chamadas de majoritárias. Pois é, não me recordo uma derrota de Humberto para qualquer eleição proporcional. Vereador e deputado, o homem já levou tudo. Senador, também. Porém, quando se fala de Executivo... Parece que a sorte de Humberto se restringe a ser convocado para exercer os cargos de Secretário de Estado e Ministro de Estado.

Pobre Humberto.

Neste ano de 2012, tudo ficou ainda pior para a candidatura de Humberto Costa ao governo do Estado. Depois da lambança que o PT aprontou com João da Costa, o Recife parece ter insuflado um asco pelos petistas. Sinceramente, NINGUÉM mais suportava João da Costa à frente da prefeitura municipal. mas a maneira como o PT conduziu a retirada compulsória da sua candidatura à reeleição foi desonesta demais!

João da Costa foi certamente o pior prefeito da história dessa cidade (e olhe que Recife tem história). Um aborto político, um homem sem virtude, um goblin, um apêndice, um ponto fora, um nada.

Um aborto político, produzido no ventre do PT, tendo por pai e parteira o senhor João Paulo, que o indicou à sucessão, e hoje concorre a vice-prefeito na chapa "pura" do PT. Francamente, João Paulo tem culpa e muita na situação que Recife vive atualmente. Além de ter passado oito anos na prefeitura (2001-2009),  sem resolver o caos urbano (trânsito, saneamento básico, verticalização desenfreada, etc.), ainda nos deixou esse péssimo legado chamado João da Costa.

Em minha curta trajetória de vida, não me recordo de um prefeito que tenha sido alvo de tanta aversão por parte do povo como João da Costa, ou João Vira as Costas, como ficou apelidado nas redes sociais. Mesmo assim, a forma como o PT conduziu a "retirada" de João da Costa da reeleição para prefeito, substituindo-o por Humberto Costa, não pegou bem. Foi escandaloso demais, foi sujo demais. A traição foi grande demais para quem estava assistindo.

Quando Bilbo Bolseiro (nem quero imaginar que você não saiba quem é ele, leitor) partiu na aventura de matar Smaug pela sua quota do tesouro que o dragão roubara a Thorin Escudo de Carvalho, juntamente com o mago Gandalf e os outros doze anões, não esperava outra coisa senão uma aventura. Lá sabia o pequeno hobbit de coisa nenhuma?! Lá tinha cobiça no coração?!

Não tinha. Na verdade, a cobiça só espezinhou o coraçãozinho do hobbit quando ele pôs os olhos no tesouro, por sobre o qual dormia o dragão. Naquele momento, Bilbo desejou a fortuna, e aparentemente trocaria sua vida por aquilo.

O presidente Lula foi um covarde ao trair o povo brasileiro. O Partido dos Trabalhadores não tinha o DIREITO de fazer o que fez: roubo, crimes, traições, MENSALÃO, etc. A estrela solitária do partido vermelho se apagou, e junto com ela, o último suspiro de quem acreditava que Lula e cia. limitada escreveriam novas páginas nos livros de história.

Eis agora Lula, na capa da Forbes, ostentando uma fortuna avaliada em dois bilhões de Reais. Mentira, dirão os petistas. Mas onde há fumaça, há fogo. E para a Forbes divulgar uma fortuna dessas... Digamos que o presidente possua apenas trinta por cento desse valor. São seiscentos milhões de Reais. Quantia inexplicável para um presidente da República obter em oito anos. Confere?

O PT vai se acabar. Vai ruir. A ponta do iceberg já está aparecendo. A partir de agora, é uma questão de tempo até que o partido se derreta, como uma calota polar. Na enxurrada que se seguirá ao derretimento, muita sujeira vai correr. Que Lula ponha suas barbas de molho, se puder. Porque, creio eu, do jeito que as coisas vão, em 2014, se vier se engraçar para Presidente da República (te cuida, Dilma), é capaz de levar um revés e sair da política, definitivamente, pela porta dos fundos.

E se eu bem conheço a maneira de pensar dos petistas, eles devem estar argumentando o seguinte: estamos sendo indenizados. Mensalão é indenização. Estamos jogando com as armas da democracia burguesa. Fomos oprimidos por muito tempo, temos que nos capitalizar para poder lutar de igual para igual com as velhas elites. Mensalão é indenização. Estamos jogando o jogo da democracia burguesa.

Creio que é assim que os petistas têm comprado a sua consciência.

Humberto é um bom sujeito, mas já perdeu. Prova disto é que Lula e Eduardo Campos já estão juntos em São Paulo, tentando a todo custo levar Haddad para o segundo turno. Espero que não obtenham êxito, espero que o PT sofra as consequências da traição que cometeu contra quem lutou nas suas fileiras por um ideal de sociedade mais justo.

Pobre Humberto. Se seu Partido tivesse honra, talvez vencesse as eleições. Só um milagre agora o salva. Milagres daqueles que a gente vê nos filmes: só neles é que os cavalos paraguaios arrancam no último minuto e vencem a corrida. Mas eu espero que isto não aconteça. O PT não merece vencer essas eleições.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

De Geraldo Júlio: o bolo de mandioca.

No ano de 2007 - portanto a alguns semestres de me bacharelar no curso de Direito da Universidade Católica de Pernambuco, o que ocorreu em dezembro de 2008 -, eu e uma dezena de colegas formamos um grupo para disputar as eleições do Diretório Central dos Estudantes daquela universidade. Era uma época feliz da minha vida, talvez a mais efervescente em termos de atividade política que eu desenvolvi durante minha jornada universitária inteira. Naquele tempo, eu enfrentava polícia em protestos contra o aumento das passagens de ônibus (com direito a atirar bolas de gude na cavalaria, como se fazia na ditadura militar), participava de intermináveis debates políticos durante encontros de estudante e perambulava pelos bares do Recife Antigo (ou então no saudoso Empório Sertanejo), sempre em busca de me exercitar no processo dialético que eu acreditava ser capaz de conduzir à compreensão dos processos políticos que envolviam a nossa cidade.

Tempos felizes, repito, porque eu realmente acreditava na política como um caminho para a construção de uma sociedade mais justa.

Para quem não sabe, o Diretório Central dos Estudantes - ou DCE - é o órgão máximo de representação estudantil dentro de uma universidade. Enquanto os DAs representam individualmente cada curso (Direito, Jornalismo, Engenharia, Letras, etc.), o DCE representa a todos. Grosso modo, é como se os DAs fossem as Prefeituras e o DCE, o Governo do Estado.

Pois bem, as forças que me levaram a ser indicado para o cargo de presidente da nossa chapa me são um tanto alheias, até hoje. Saibam: uma série de fatores levam um sujeito a ser escolhido para encabeçar qualquer chapa para qualquer órgão (político ou não) de qualquer lugar do planeta. Há um jogo de interesses nisso, que quase nunca fica esclarecido entre os envolvidos no processo. Às vezes, o processo de indicação é natural, pelas qualidades do sujeito; às vezes, é imposto por um membro ou grupo de membros que têm mais força política dentro do grupo; às vezes, é auto-imposto pelo candidato; e às vezes, depende de uma extensa e habilidosa trança de negociações políticas.

Se a indicação do meu nome foi boa ou foi ruim, isto está além do meu julgamento. Pesava sobre mim a pecha de "direitista". O fato é que, no final das contas, perdemos, graças ao poder da outra chapa, que contava com o apoio do PT e do PCdoB. Em resumo, quem saiu ganhando foi o PT. Impressionado, descobri mais tarde que havia membros do PT não só na outra chapa (declarados), mas na nossa também (velados), o que me levou à insofismável conclusão de que o grande vitorioso naquela disputa estudantil, - quando sonhos estavam em jogo - foi o Partido dos Trabalhadores, o Partido que nunca dorme.

Fazendo uma ponte com a candidatura de Geraldo Júlio (PSB) às eleições municipais do Recife, acredito que sua indicação seja fruto da decisão da alta cúpula do PSB, partido que o governador Eduardo Campos controla em Pernambuco. E acho que a indicação foi coisa de última hora. Geraldo Júlio é um candidato de última hora, forjado às pressas no ferreiro, como uma espada de urgência para o governador, que esbanja poder na atual conjuntura da política em Pernambuco, poder empunhar.

Geraldo Júlio é uma espécie de bolo de mandioca: receita simples e rápida, colocado de última hora no forno para servir os convidados que decidiram fazer uma visita de última hora. No caso, o anfitrião é o governador, os convidados somos nós, o povo recifense, a cozinha são as dependências do PSB e a cozinheira... Bem, digamos que a cozinheira seja uma extensão dos tentáculos do nosso impossível governador, que parece ser o tipo de homem que bate o escanteio e sobe para cabecear, ou, como eu dizia acima, prepara a receita e ainda bota o bolo para cozinhar.

E o fermento é a imprensa, logicamente.

Está muito claro que Geraldo Júlio, por ser o candidato do governador, agrada. O governador está em alta. Some-se a isto o fato de Geraldo ser servidor público ocupante de cargo de provimento efetivo, ou seja, um "quadro técnico", coisa que agrada bastante à classe média e à juventude. Por isso, sempre que você ouvir alguém dizendo que Geraldo Júlio é um candidato-poste ou que ele só tem o mesmo discurso, saiba que isto é fruto do seu desconhecimento dos problemas da cidade do Recife. Quer dizer, Geraldo tem uma equipe por detrás dele, ensinando-o a se comportar como candidato favorito à vitória, então ele se vê obrigado a reproduzir certos discursos, por não ter o total conhecimento dos temas que englobam a administração de uma metrópole como é o Recife.

Aconteceu exatamente o mesmo comigo (guardadas as proporções) durante aquela eleição para o DCE. Eu sabia "alguma coisa", mas não tudo. Então, muita coisa me foi "ensinada" de última hora, para que eu tivesse condições de pelo menos duelas com meus concorrentes e debater sobre todos os temas polêmicos que cercavam o movimento estudantil na época.

O problema é que, lutar espada com samurai é meio complicado. E Geraldo Júlio está definitivamente entre samurais. Vamos ver se terá forças para ir até o final, ou sucumbirá à frieza e ao calculismo dos samurais que estão tentando o derrubar. Afinal de contas, o recifense sempre gostou de estar do lado do mais forte. No íntimo, esta cidade ainda gosta dos déspotas. Gosta de admirar os sujeitos que revestem sua aura com o brilho do poder quase absonito. Por isso, está se curvando à vontade do governador, que dardeja do Olimpo do Palácio do Campo das Princesas.

O medo que o governador inspira e a atmosfera semidivina que ele próprio criou ao seu redor é o grande trunfo de Geraldo Júlio para derrotar seu maior rival dessas eleições, o senador Humberto Costa. Ou seria o deputado Daniel Coelho?