terça-feira, 14 de agosto de 2012

Jorge se acordou com uma sensação de febre revoltada. O corpo era uma brasa. Pensou que estivesse doente e levou as costas da mão direita ao pescoço, a fim de medir a temperatura. Estava normal. Sentou-se na cama, semi-acordado, e sentiu o medo correndo pelas suas veias. O coração estava aos pulos. De repente, um calafrio lhe pegou pela base das costas e foi subindo até a nuca. Jorge tremeu de frio. Desligou o ar-condicionado. Frio e calor. Atirou no chão a colcha que o envolvia e deu um salto da cama.

Já de pé, contemplou o mundo ao seu redor. Livros sobre a estante, alguns cigarros apagados no cinzeiro de vidro, um copo sujo por cima do laptop e algumas roupas displicentemente pousadas sobre a televisão.

Jorge tocou o pescoço mais uma vez, a fim de conferir a temperatura. Normal. Os calafrios também cessaram. Apenas o corpo ainda formigava. E a garganta ia um pouco ressecada.

- Êh, Jorge - gritou alguém de lá -, parece que o medo te apanhou durante a noite.

x

Jorge suspirou pesadamente e deixou-se cair na cama outra vez; antes, porém, acendeu uma vela e pediu a Deus que lhe arrancasse aquele medo que ia no seu coração. Depois, voltou a se deitar, e de volta à companhia de anjos e serafins, esqueceu-se de todo o pesadelo e caminhou levemente para dentro do seu sono.

E tudo isto aconteceu lá naquela nuvem, onde os anjos nos recebem quando nós estamos sonhando. E foi lá que eu lhe dei um abraço. E foi lá que eu me encontrei com ele e lhe disse assim: "Jorge, deixa da tua frescura".





domingo, 12 de agosto de 2012

I look at all that lonely people

Essa semana, Caetano Veloso fez aniversário. Completou setenta anos de idade. Cada dia mais bonito - ou menos feio, como prefiram. Porque se existe um homem a quem a velhice fez e ainda continua fazendo bem, pelo menos do ponto de vista estético, este homem é Caetano Veloso. Vejam:


Caetano Veloso, jovem. Feio. Ou obtuso, como ele mesmo diria.


Caetano Veloso, velho. Menos feio, mas não menos obtuso.

Faz muito tempo desde a primeira vez em que eu pus o primeiro CD de Caetano Veloso para tocar no micro sistem Sony preto que eu tinha no meu quarto. Eu era um menino de treze anos, mas me lembro muito bem de quando fui até o armário da sala e peguei "As vinte melhores de Caetano Veloso" para ouvir. 

Você é linda foi o início de uma relação artística que se prolongaria por muitos anos. Evidentemente, meus amigos me perturbavam muito porque eu ouvia Caetano Veloso. Sempre que entravam no meu quarto e eu estava ouvindo, era de tirar meu couro. Os delicados adjetivos que passaram a me dirigir, a partir de então, variavam de bicha a romântico, e passaram a tirar o meu sossego no colégio. Davam-me tapas na cabeça e cantarolavam versos que tinham memorizado de tanto me verem ouvi-lo. E, é claro, sempre buscavam me embaraçar diante das moças. Mas o que eles não sabiam é que meu sucesso (???) diante das meninas se devia, em grande parte, à sensibilidade de escutar Caetano Veloso quando quase todo o mundo só ouvia forró, rock, e aquelas músicas de axé que infestavam o país na nossa adolescência.



Caetano rapidamente se tornou um símbolo para mim e eu, um símbolo dele para a escola. "Lá vai o menino que escuta Caetano" ou "não fala mal do Caetano na frente dele" se tornou muito comum de se ouvir. Eu realmente amava o cara. Mas tive que ocultar essa quase dependência que se formou com a arte dele. Me tornei então uma espécia de beduíno clandestino, um traficante solitário da Música Popular Brasileira, um refugiado das ilhas de que fala Drummond em seu Mundo Grande.

Mas meu destino já estava selado. Tal qual o motorista que freia o carro a 100 metros do abismo e não consegue evitar a queda de ambos, estava escrito que o meu encontro com a música daquele baiano esquisito marcaria definitivamente o meu ideal artístico e nortearia a compreensão nem sempre fácil de como o mundo é e de como os sentimentos funcionam no nosso aparelho humano. Caetano passou a ser a sublimação das horas vazias da minha adolescência e abriu as portas para a música popular brasileira para mim. Depois dele, vieram Chico Buarque, Djavan, Maria Bethânia (sua irmã), Gilberto Gil, Tom Zé, Tom Jobim, Jards Macalé, Orlando Silva, Vinícius de Moraes, a velha guarda do samba, Nara Leão, Elisete Cardoso, Jorge Ben, Raul Seixas, entre outros. E, é claro, o seu mestre maior, e talvez meu também; o grande arquiteto da Bossa Nova, o obtuso-rei, o chato de galochas, o caramujo, o desafinado: João Gilberto.

Mas foi ele o astro que desencadeou em mim o processo; foi ele quem colocou as primeiras pedras e pavimentou o caminho para os meus primeiros passos na humilde caminhada pela música e pela literatura e pela arte de um modo geral. 

Foi Caetano Veloso. 

Foi ele também quem embalou meus romances, pelo menos os mais significativos. Alguns mais, outro menos. Vejamos se não é verdade:

Você é linda, com M. Um relacionamento tão bonito, cheio do platonismo caetânico tão particular de mim, que não se concretiza porque é tão bonito e tão perfeito que se nega à mácula inevitável dos cinco sentidos.

Leãozinho, com A. E mesmo apesar de tudo, eu nunca deixei de ouvi-la, embora já não tenha mais o leãozinho que ganhara de presente e que causou frenesi na turma inteira. E ainda existem a música, o cantor e... Isso é muito evocativo.

Queixa e O Quereres, com C. Toda a sensualidade daquele pequeno milagre em forma de mulher se condensaram nessas duas músicas eróticas de Caetano. 

Rapte-me Camaleoa e Magrelinha, com A. Falávamos disso ontem mesmo. Como nos divertimos! Porque A. era minha cúmplice no amor por Caetano.

Caminhos Cruzados, de Tom Jobim, na voz de Caetano, com M.  M., você não entendeu.

Eu não me arrependo de você, com C. Foi ela que cantou primeiro. E eu peguei a canção para nós.

Nosso estranho amor, com T. 

E folgo em dizer que foi Nine out of ten que embalou o romance de Papito e Tuca, que se casaram recentemente e que tiraram uma foto em Portobello Road quando estavam na Europa!

E nisso se vai Língua, com a minha paixão pela Língua Portuguesa; e Almodóvar e Glauber Rocha, no cinema; e Sem Lenço, Sem Documento e London, London, contra a ditadura; e os poetas concretistas; e até mesmo Sozinho, de Peninha, quando o grande público passou a pedir para ouvi-lo nas rádios.

Pois é... Na alegria e na tristeza, lá sempre esteve Caetano Veloso. Nunca tive o prazer de encontrá-lo pessoalmente, e quando sonho em ser escritor, uma das coisas que mais desejo é na possibilidade de, reconhecido como artista, conhecer meus ídolos da arte. E um deles é Caetano. 

E hoje, no dia dos pais, ao lado do meu velho pai, Ailson Antônio Santos Malheiros, que não escuta Caetano (meu pai nunca sai de Placido Domingos e Julio Iglesias), eu saúdo Caetano Veloso também como um pai. Pois eu só consigo compreender a vida através da arte. Assim, tenho alguns pais nessa jornada. E Caetano é um deles.

Talvez o maior.






segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Eu mergulharia naquela Guanabara

Semana passada, eu estava no Rio de Janeiro. Tomei o avião de volta para Recife na terça-feira. Às onze horas da noite com mais 36 minutos, eu e mais uma centena de passageiros estávamos fora do solo. Voamos. Desconfortável, digo-lhes, conforme. Não somos pássaros. Os sonhos voam mais fácil.

Viajar de avião é para mim sempre um alumbramento. Fico impressionado. Há circunstâncias nesta vida que me fazem comportar como uma criança. Uma delas é viajar de avião. Quanta gente há neste mundo! Da hora em que eu entro pela porta de vidro de um aeroporto até o minuto que eu saio pela do outro, é um contentamento infantil. 

Corre em mim certa substância divina, como corre pelo caule das árvores a seiva bruta que vem do solo e segue em direção às flores. Fico perplexo, vigilante, confiante. Deusificado.

Nesta última viagem, sentou-se do meu lado um sujeito enjoado. Trajava calças jeans, camisa de botões listrada, ensacada por dentro, cinto e sapatos pretos e um relógio com pulseira de aço e uma enorme circunferência que lhe encobria o punho quase inteiro. Não chegara ainda aos quarenta anos de idade. Seus cabelos começavam a cair, e as falhas no couro cabeludo já eram bem visíveis. A pele era um pouco desgastada, certamente por conta da exposição excessiva aos raios solares dos trópicos. Tinha, em resumo, o perfil de um contribuinte individual do INSS: casado, um tanto grosseiro, pouco educado, desconfiado, alheio aos Novos Baianos e inseguro quanto à originalidade da Bossa Nova, descrente dos anjos, católico por vocação, ex-fumante, bebedor de cerveja, comedor de cuscuz com leite, artilheiro da pelada de domingo e amigo do cara do almoxarifado da empresa.

Não era o tipo de pessoa que eu queria que se sentasse ao meu lado no voo, Deus que me perdoe. Francamente, a gente sempre espera que alguém legal se sente do nosso lado nas poltronas dos aviões, correto? Porque... Já pensou se ele cai? Ou se enfrenta uma turbulência grande, daquelas que parece que o avião acaba de passar por cima de uma lombada de nuvem?

Não, não! Importante estar junto de alguém legal nessas horas, principalmente quando estamos viajando sozinho.

Resumindo, a aura do cara não bateu com a minha. E, para piorar, o danado se pôs a roncar. Roncar, sentado, ao meu lado... Quase meia-noite, sobrevoando a Guanabara, umas saudades no peito, umas belezas ainda coladas nas retinas, uns perfumes entranhado nas narinas, e por fim, um Sándor Márai devastador no colo, querendo e não querendo ser lido, por muito temor pelos personagens, que já tinham ganhado vida e cujos destinos agora se haviam cruzado com o meu... E o sujeito, roncando do meu lado. Shit!

Diante daqueles roncos terríveis, instintivamente me virei de lado, bastante irritado. Minha fileira era a do lado direito. Assim, quando girei o pescoço na direção da fileira esquerda, lá estava a minha pérola.  Meus olhos foram dar direto nela. Na mesma hora, os roncos e o seu dono ao meu lado, como que num passe de mágica, sumiram. De onde era aquela moça? Bolívia, Peru ou Equador. Colômbia, talvez. Não era brasileira, isso eu sabia com certeza. E era andina. Como era! A serenidade da Cordilheira lhe escapava pelos poros da pele achocolatada dos Andes. Os olhinhos puxados e os dentes em viaduto confirmavam. Era andina.

Presa nos elos da sua jaquetinha barata, cor de marfim com listras negras no ombro, a mocinha, que não era nem bonita nem feia, chorava dolorosamente. O corpo se sacudia inteiro aos soluços desesperados do choro, enquanto ela estendia o olhar faminto pela janelinha do avião. As lágrimas refletiam a luz da Guanabara, imitando as águas da baía. O rosto se contorcia inteiro diante da dor da partida. Que deixava aquela moça no Rio de Janeiro? Um filho, talvez. Um amor, com certeza. E raízes, com toda certeza desse mundo. Ali estava uma plantinha dos Andes, longe de casa, alçando voo para algum lugar distante, e se afogando em lágrimas de saudades lancinantes.  

Mocinha andina, mocinha andina... Eu conheço aquela dor. Aquela dor de quem se separa do amor.

E eu te amei, do fundo do coração, como amo todos aqueles que, como eu, já sofreram com a dor de se separar de um grande amor.



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Eu ia pelo Recife Antigo, do Paço Alfândega em direção à Rua do Imperador, quando um carro cinza encostou e buzinou. De dentro dele, vi que uma mãozinha delicada acenava para mim. O vidro se abriu, e do lado de dentro, uma voz feminina me chamou, meio sem jeito; primeiramente, achei que a conhecia. Depois, percebi que nunca tinha ouvido aquela voz antes. Eu trazia na mão quatro livros grossos; todos os quatros versavam sobre Direito Tributário. Acho que a moça não percebeu isto. Meio timidamente - em parte por causa dos livros, em parte por causa dos enormes óculos escuros que a garota usava -, aproximei-me do carro cor de chumbo, que refletia os raios do sol escaldante. Eram onze horas da manhã.

A moça era bonita e muito jovem. Assim que pus o rosto bem próximo ao vidro aberto, notei sua distinta beleza, mas confirmei que não a conhecia. Mesmo assim, sorri. Diferentemente, ela sorriu de volta como quem me conhecesse; lembrou-se de mim. Chamou-me pelo nome, perguntou para onde eu ia. Respondi que estava indo para a Rua do Imperador. Ela então me ofereceu uma carona, mas eu disse que não era necessário. E naquele momento, apesar da grossa aliança de ouro que usava na mão esquerda, a bela moça abraçou o meu rosto e me deu um beijo ardente na boca. Um beijo daqueles, de quem beija loucamente, com saudade de algum passado que nunca esqueceu. Inconscientemente, retribuí; beijei, apalpei, amei. O rio Capibaribe havia penetrado em minhas veias minutos antes, enquanto eu caminhava e... Quatro livros nas mãos, quatro no coração: o rio, o amor, a moça e a poesia.

Depois, como quem procura entender qualquer coisa, perguntei de onde vinha aquilo tudo. A moça não disse nada, mas sorriu. Sorriu, travessa. Como sorriu...

Foi o momento mais erótico da minha vida. 

Acho que, no fundo, no fundo, aquela adorável garota percebeu que eu trazia no peito aberto a vontade incontrolável de queimar todos os minutos da minha vida na mais violenta chama do amor.

Sim... A vida às vezes não passa de um tórrido encontro de corpos às marges do complacente rio da minha cidade.


quarta-feira, 11 de julho de 2012


      Certa vez, alguém compartilhou um link no Facebook (não me djiga!) com uma frase muito interessante. Melhor dizendo, a frase era mais que interessante, era brilhante – nem mesmo o errinho de regência verbal que continha foi suficiente para subtrair o seu brilho. Eu a achei brilhante na ocasião, embora tivesse bebido um pouco quando a li, mas agora, sóbrio e no trabalho, voltei a me encantar pela frase (já conto a razão de ter me lembrado dela hoje). Ei-la:


“Temos empregos que odiamos para comprar merdas que não precisamos."


Consultando o oráculo da modernidade, o bálsamo da curiosidade, a toupeira sagrada dos antigos astecas, enviada por meio de ondas magnéticas até chegar ao século XXI – o Google -, encontrei (não me djiga!) a mesmíssima imagem do link que algum dos meus amigos compartilhou no Face naquela ocasião. Ei-la:



Curti, curti. Confesso que curti. Pra falar a verdade, nunca tinha ouvido falar de Tyler Durden na minha vida (só sei que ele deve ter lido muito Bukowski e Henry Miller), mas descobri no Google que Tyler Durden é o personagem de Brad Pitt em O Clube da Luta (clássico do cinema moderno). Bingo.


Então, deixem eu dizer por que foi que eu me lembrei dessa frase hoje. É que, de manhã, enquanto eu comprava uma caixinha de Halls vermelho na Select do posto de gasolina perto da minha casa, chamou a minha atenção a matéria de capa de um jornal de grande circulação na cidade, a qual metia o pau num rapaz que trabalha numa repartição pública e que deu uma dedada para uma senhora/senhorita que estava sendo atendida por ele. 

Eu não acho certo as pessoas saírem distribuindo dedadas por aí, ainda por cima quando não se conhecem. Não sei ao certo como se deu o caso da dedada do rapaz - nem me importa. Acho uma indelicadeza o sujeito dar dedada para uma mulher, ainda mais em público, pois, como diria Machado de Assis, noutro contexto: o maior pecado, depois do pecado, é a publicação do pecado.



       Acho que a dedada é um gesto que deve ser evitado a todo custo. É mais apropriado para locais como estádios de futebol, mesas de pôquer, peladas de meio de semana, shows de heavy metal, intimidade de certos casais, etc. E, mesmo assim, com moderação. Mas eu não estou aqui para julgar ninguém. O ponto que eu quero focar nessa história é outro: o sujeito tem que estar ODIANDO demais a MERDA do emprego dele para dar uma dedada a uma senhorita, em pleno ambiente de trabalho, e pior: mesmo sabendo que estava sendo filmado.


      Deus! Esta é uma boa oportunidade para repensarmos um pouco sobre o que estamos fazendo da nossa vida! Estamos permitindo a escravidão generalizada. Não tenho dúvidas de que o desemprego é pior do que qualquer emprego de carteira assinada, mas todo o mundo há de convir que há certos locais de trabalho que são uma DESGRAÇA sobre a terra e que você faria de tudo para NUNCA ter que trabalhar nele! Não tem dinheiro que pague. E não é necessário ter trabalhado lá para saber disso. É igual à água de esgoto: não precisa ter bebido para saber que é ruim. 

Que diabos de regime é este que estamos tentando manter, onde um emprego chateia dois cidadãos ao ponto de eles se agredirem mutuamente e... Desembocarem numa terrível dedada... Filmada... E pra piorar, postada no Facebook...





       O caso foi parar na tv. Quanto ao acontecido, a assessoria de imprensa do órgão público, em nota oficial, informou que (...) "o funcionário já foi afastado do atendimento e chamado aqui à sede amanhã, onde será atendimento pela Diretora de Atendimento ao Usuário e pela gerente de Recursos Humanos, ambas psicólogas. Depois, será encaminhado à Corregedoria."

      Achei a nota bem oportuna. Adorei principalmente a parte que falou do encaminhamento do funcionário às psicólogas, profissionais mais do que indicadas para auxiliar na solução do problema. Problema que, a meu ver, merece atenção de toda a sociedade. Afinal de contas, nós não queremos ter que concordar com Tyler Durden em tudo, queremos?


sábado, 19 de maio de 2012

Perdemos o sentido da linguagem, Arthur. Com isso, quero dizer que não temos mais a mínima vontade de sair na rua, principalmente porque faz muito calor.

Mas também não se pode ficar o tempo todo em casa, agitando o membro com movimentos modulares e esperando fazer disto a única forma (talvez suprema) de prazer e desprazer, ao mesmo tempo.

Oh, Arthur, rei da Távola Redonda, era para acontecer assim mesmo?! Por que essa vontade avassaladora de se integrar ao movimento das estrelas, se você não suporta sequer o caminhar de uma lesma no jardim de flores esfuziantes da sua casa?

x

- Merlin, Merlin, não se vá! Por favor, não se vá ainda! Deixe-me replicar, dê-me pelo menos este direito.

Eu imploro, Merlin...

domingo, 13 de maio de 2012

Felizmente, aprendi a lidar com a paixão. 
Antes, eu passava 100% do meu tempo pensando nela; agora, só 80%. Nos outros 20%, fico pensando em maneiras de não pensar nela.

Portanto, hoje, (ah, se fosse possível; se houvesse um pouco mais de coragem) - e como não há -, é com essa canção que eu docemente recordo o aroma da sua pele.


Porque essa paixão é triste e doce ao mesmo tempo, como uma bossa-nova.

Ah, a paixão... Como enche de vida o coração...